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Beijupirá - Porto de Galinhas. 2 visitas, 2 óticas.

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Então que eu e o Di fomos em uma das unidades do Beijupirá e realmente foi uma experiencia agradável, divertida, saborosa e interessante.

Passado mais de um ano, retorno lá com a minha vó e voltar lá com uma pessoa tão diferente no que diz respeito a faixa etária, cultura, modo de agir, etc, faz a gente enxergar as coisas sob outra ótica.

1ª impressão dela: "Olha vó, vamos vir jantar aqui amanhã" e ela "Nossa, achei que aqui era um Centro de Macumba" - kkkkkkkkkkk. Vale dizer que minha vó não é assim tããããão idosa e sua impressão se deve ao fato do restaurante ser bem escondido no meio de folhagens e um pouco escuro na fachada, com algumas luzinhas coloridas.

Depois, notei a dificuldade dela com o cardápio... o ambiente é bastante escuro, com luz indireta e tals, quase que totalmente iluminado por velas... outro ponto, a diagramação do cardápio é despojada (leia "confusa"). Conclusão: eu tive que ler praticamente todo cardápio para ela e neste dia, devido a mesa que ficamos, também tive dificuldades com a leitura.


foto do site Beijupirá


Enfim chegaram à mesa os pratos, apetitosos como da outra vez e com seu toque criativo, porém sei lá, me pareceram menores e mais acanhados embora o preço salgadinho como sempre... Uma refeição com prato principal, 2 bebidas não alcoolicas e 2 sobremesas sai em média R$ 90,00/pax. 

Minha vó curtiu o prato dela, o Beijumanga, que trata-se de um filé de peixe grelhado com casquinha de gergelim, acompanhado de arroz de coco, farofinha de gengibre (que poderia vir bem mais - veio 1 colher!), banana caramelada (idem) e molho de manga (que ela deu para mim, hahaha). 


  http://www.acelerada.com.br/restaurante-beijupira/

O meu era um prato a base de camarões com molho de gorgonzola, arroz de goiaba e crisps de bacon. 10 camarões médios "medios-pequenos", dispostos lado a lado e frios. Arroz ok e a melhor parte do prato foi o molho de gorgonzola e o bacon. 





De sobremesa fomos de crepe de filhoses com sorvete de tapioca. Tudo impecável nesta sobremesa, a massa muito crocante, o sorvete delicioso! Porém, minha vó pediu mesmo por conta do tal mel de engenho que vinha sobre ela... depois minha vó deu umas resmungadas que o tal melado não era lá essas coisas, como ela comia em 1900 e bolinha... honestamente, aí ja não sei, mas acho mesmo que isso foi puro saudosismo. 


https://chitchatbabel.wordpress.com/2010/11/18/beijupira-porto-de-galinhaspe/


E também pedimos a cartanhola, uma versão da tradicional Cartola pernambucana - 



https://chitchatbabel.wordpress.com/2010/11/18/beijupira-porto-de-galinhaspe/


Essa sobremesa leva banana frita na manteiga de garrafa, uma 'modesta' fatia de queijo manteiga (que é maravilhoso, pena que não encontramos facilmente aqui pelas bandas do sudeste), e cobertura de canela e açucar. Para virar cartanhola, eles adicionaram farofa de castanha de caju,  mas tão fina, tão fina que ficou desagradável de comer... achei que viria uma espécie de xerém, mas não, na boca, parecia que estava mastigando areia...

Naquela noite, o atendimento deixou a desejar... o garçom estava bem desatento e nossos pratos demoraram.... eu não pagaria os 10%, mas não quis criar caso.

Vi inumeros casais pedindo apenas 1 prato e dividindo, já tinha visto isso acontecer na primeira vez... Sei lá, obvio que tal fato ocorre devido ao alto custo, talvez eles devessem repensar sua politica de preço, chegar num meio termo, onde o consumidor gastasse menos por cabeça, mas mais no total e se sentissem incentivados a pedir 2 pratos (por casal)... Porque você nota que é tão comum os casais dividirem um prato, que os garçons já tratam de forma natural (ok, ninguem tem nada com isso)... mas comercialmente falando, é uma perda de tempo, ocupam mesa, tempo de espera, serviço, etc... Fora que um prato mal dá para 1 pessoa com fome!!! 

Enfim, devaneios a parte... vale a pena? 

Se você quer comer uma comidinha de praia com toque moderno, gastando bastante dinheiro, vale. Caso você queira comer bem mesmo, aquela moqueca maneira, cheia de camarões, com dendê, leite de coco e lagosta, por metade do preço, aí a historia acontece em outros lugares...

:o*


Garimpando o Interior de Minas... mas em São Paulo!

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Eeeeeeeee pessoal, de volta!

Casamos, felizes, lindos, radiantes!
Lua de mel MARA!

Então, só poderíamos retomar nosso blog, em outro post gordinho e gostoso!

VIVA 2014!

Nossos amigos queridissimos e agora, padrinhos de casamento, Enrico e Tiago, nos convidaram para um almoço no domingo. Nem questionamos o local, sabiamos que seria uma delicia, fomos "de olhos fechados".

Logo de cara, que lugar fofo!
Tudo fofo, entrada fofa, mesas, cadeira, vasos, quadros, enfeites pendurados pelo corredor... Isso sem falar na recepção... a gente se sente abraçado pela vó lá do interior de Minas de tanta simpatia! E simpatia real, espontânea, de graça, cativante, não aquela coisa forçada e mecânica dos "BBQ´s" americanos.

O cardápio é simples, sucinto, mas tem tudo o que um restaurante de comida mineira precisa ter. Além disso a garçonete (ou gerente, ou dona, não sei), também trazia na ponta da lingua mais uns 3 ou 4 pratos como novidade. Tudo bem explicadinho, para não ficar duvidas... ou, deixar mais duvidas, né?!

Como se já não bastasse as delícias do cardápio, agora tinhamos mais algumas opções "avulsas" rs.

Depois de muita conversa e quase um "dois ou um" para decidirmos os pratos, optamos por:












Pasteis de Angu de carne e queijo - porção de tamanho excelente, de pasteizinhos de massa de fubá. Quentinhos, crocantes... dava p/ ficar ali a tarde toda tomando cerveja, conversando e comendo só isso!



Mesa linda, mesa farta! 

Veio desfilar na nossa mesa, o Caipirão - frango caipira, ensopado com quiabo, acompanhado de arroz branco, quibebe e couve manteiga crua. E sem fazer feio, a costela "sem nome", que não estava no cardápio, cozida e servida molhadinha em seu proprio caldo (neste momento minha boca enche d´água), com arroz também em seu molho, feijão preto, couve e farofinha...

Pensem numa palavra... eu só consigo pensar em "Hummmm".

Tudo bem feito, temperadinho, as carnes macias, bonito de se ver! E comemos, comemos, comemos... E alí no Garimpos o tempo para, tal qual em Minas (para o azar da fila que se forma na porta) , e a conversa rende... e a comida se multiplica nas cumbucas!

Para acompanhar, pedi a Alma Mineira - cachaça, limão
cravo, manjericão e capim limão. Para mim, um pouco forte (não costumo beber cachaça), mas nada que um gelo não resolvesse! rs

Apesar de hiper satisfeitos, não poderiamos dispensar a sobremesa né?

Então dividimos a porção maravilhosa de churros, feitos com massa de farinha de milho, acompanhados do autentico doce de leite mineirin e do sempre saboroso melaço de cana. Chegam a mesa quentinhos, polvilhados de açucar e canela!



Para finalizar, o que seria de um belo almoço mineiro sem um bom cafezinho para fechar?





Eis que vem à nossa mesa essa lindeza, fiquei apaixonada! Uma base, com a canequinha de metal, colocada abaixo de um suporte com o coador de pano, açucar mascavo e cristal e em outro recipiente, uma dose já certinha do pó que será utilizada. Logo chega o charmoso bule com água quente e assim, você, coloca o pó no seu "personal coador" e passa seu café alí na mesa e fica se deliciando com o aroma do café fresquinho, passado na hora, enquanto se diverte vendo o liquido cair na xicarazinha!

Enfim, só pontos altos, do inicio ao fim! 

Isso sim eu digo, é um restaurante de comida mineira! Você sai abraçado no estômago e no coração!


Garimpos do Interior
R. Marco Aurelio, 201 - Vl. Romana/Lapa - SP
Tel. 3862-9345

Consulado Mineiro: Vale a fama?!

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Essa foi uma aventura gastronomica atípica... Atípica, porque não foi planejada como a maioria... surgiu como opção no nosso caminho numa tarde de domingo alí pelas bandas de Pinheiros, Vila Madalena e afins...

Passando pela praça Benedito Calixto, sem seu costumeiro burburinho, logo achamos uma vaga, paramos o carro e incrivelmente não tivemos dúvida, "vamos ao Consulado Mineiro".

Para variar, enfrentamos uma breve espera... aliás, espera é algo que já nos desencorajou inumeras vezes de ir ao local... mas na ocasião foi realmente rápido... tudo bem que nos colocaram numa mesa que mal cabiam nossos cotovelos e se pensássemos mais alto, a mesa do lado ouvia, mas ok, estávamos sentados...

Logo veio o cardápio e a ansiedade do garçom para tirar o pedido... foi quando pedimos de entrada o bolinho de mandioca com carne seca, sim, nos pareceu uma ótima entrada mineira para começar o almoço!

A porção veio bem servida e chegou na mesa quase que na velocidade da luz!


Mas ao morder.... não era bem isso que eu chamo de "recheado" de carne seca. A massa do bolinho estava OK, macia, mas não tinha gosto de mandioca, lembrava batata, nada mais e todos os bolinhos, o MÁXIMO do recheio era isso aí que vcs podem ver na foto... daí para pior. Ou seja, R$ 22,00 por massa de bolinho...  



Em meio a barulheira, num ambiente que a decoração mais parece um sarcofago egípcio (pelo menos a vista da praça ali do primeiro andar é bem agradável), pedimos por R$ 67,00 a  Costelinha à Mineira: costelinha, linguiça, tutu, couve e arroz.   


Mais uma vez o prato chegou à mesa em tempo extraordinário...! Um bom sinal? Talvez não...

O arroz (me recuso a comentar); a couve, bem temperadinha; o tutu, molenga, mais parecia uma sopa de feijão, dava p/ tomar de colherzinha, meio insosso (aprendi essa com o Gordon Ramsay), tive que colocar sal e em nada se parecia com um tutu... que você pode ver o que eu realmente esperava dando um google aqui. A linguiça veio seca, do tipo esturricada, ou seja, estava horas esperando para ser servida, e a costelinha, veio de morna para fria... O Di fala que a comida para mim tem que ser "pelando", mas pera lá... a vigilância diz que os alimentos tem que ser mantidos a pelo menos 65ºC para a não proliferação de bactérias... e me desculpem... a costelinha não estava a 65ºC....rs. Só isso já me basta p/ dizer que estava de morna para fria.  E isso já é mais que suficiente para dizer que a carne fica lá esperando 'num tacho' para ser servida assim que cada pedido entra...

Não estou falando que é errado o pré preparo, ainda mais de comida mineira, que normalmente são comidas que demandam muito tempo de cozimento, mas uma costelinha frita? Qual o problema de demorar 20 minutos e frita-la na hora e servir um prato bem feito?! A costelinha estava seca, a casquinha que deveria ser crocante estava dura e borrachuda... meu pai, que não tem um fogão industrial faz uma costelinha "mineira" em 20 minutos sim, com pé nas costas. 

Na mesa ao lado, pediram um Mexidão (arroz com carne de sol, lombo, feijão, couve, ovo acompanhado de torresmo e banana a milanesa) outro prato que cronometradamente não demorou 5 minutos para chegar a mesa dos clientes... outra pergunta: por que não ser feito na hora? Qual a real demora de se fazer um "mexidão" no ato do pedido? De se fritar a banana a milanesa na hora?... 15 minutos?

Pois é, mas ali no Consulado parece que eles não tem esse tempo, era umas 14hr e a fila já se colocava enorme na calçada... e pela montoeira de flanelinhas se organizando em bandos, tudo alí tendia a piorar com o passar das horas.

Pedimos a conta... Essa sim demorou, demorou por uns 15 minutos e veio errada.

Eu sei lá o que faz a fama do lugar... sentar alí e ficar tomando cerveja e comendo porções "de massa"? Desculpe... mas quem acha que isso é ser mineiro, é porque realmente nunca pegou a tal linha "Trem Bão".


Primo Rico, Primo Pobre: São Judas e a rota do frango com polenta

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Bom, primeiro devemos nos desculpar pelo blog ter ficado meio largadinho este ultimo mês e meio... correria no trabalho, depois merecidas férias.... ah, as férias, depois teremos textos deliciosos sobre ela... mas, deixando o mimimi de lado, vamos ao que interessa!

Um "abismo" se localiza entre os números 1749 e o 1911 da avenida Maria Servidei Demarchi, em São Bernardo do Campo. Na famosa rota do frango com polenta, duas famílias tradicionais da cidade administram dois enormes restaurantes com a mesma proposta, mas tão diferentes em tanta coisa: tratam-se das casas São Judas Tadeu e São Francisco.



Excluindo os outros restaurantes da famosa rota (como o Florestal, o Gaia e vários outros), o foco nestas duas casas se explica: no último fim de semana, pensando em um lugar para almoçarmos às 14h30 (horário em que muitos restaurantes no ABC, especialmente São Bernardo, já fazem cara feia se você tenta entrar neles, para fecharem às 15h), a Cá sugeriu de irmos à Rota, e, apesar de não sermos habitués da região, marcamos nossa presença de tempos em tempos, mas praticamente sempre no São Judas e no Florestal.



Com a intenção de variarmos, fomos ao São Francisco desta vez, e, nossa coleção de surpresas começou com uma negativa, logo de cara: Enquanto o São Judas, um dos 3 maiores restaurantes do Brasil, superlativo em todos os aspectos, nunca está lotado, mas tem uma ocupação razoável (acho que de 50 a 60% da casa nos fins de semana comuns), o São Francisco estava literalmente às moscas, com 4 ou 5 mesas ocupadas. A segunda supresa, muito positiva, foi no atendimento da hostess da casa, que explicou o sistema de funcionamento do restaurante (que já conhecíamos, mas foi atencioso da parte dela), já com os preços, inclusive. No São Judas, o atendimento inicial é bem falho, as pessoas simplesmente te levam para uma mesa e acabou. Provavelmente, diferenças criadas pela quantidade de gente que entra no restaurante diariamente e a necessidade de rapidez no restaurante dos Demarchi em relação ao dos Morassi.


O sistema das duas casas é bem equivalente, come-se o quanto quiser por um valor específico, com ilhas bem determinadas: saladas, pratos quentes, massas com molhos feitos na hora, churrasco e sobremesa; ou opta-se por um cardápio à la carte, com valores normalmente muito mais caros. A terceira surpresa vem no preço: enquanto o São Judas é um restaurante relativamente caro, o São Francisco tem preços mais acessíveis, com o buffet de almoço nos fins de semana custando R$ 29,90 por pessoa; ponto positivo pros Morassi, mesmo não tendo a enorme variedade de pratos do primo rico.


Mas, como estamos falando da rota do Frango com Polenta, nada mais justo que avaliar os restaurantes também no prato principal deste ponto turístico sãobernardense. Enquanto a ocupação do São Judas faz com que a reposição seja constante, o São Francisco acaba ficando com pratos mais tempo nos rechauds, o que gerou os dois únicos problemas do local no dia: a polenta estava extremamente ressecada e, se o frango à passarinho estava ótimo, sua versão à milanesa estava seca e fria. Mas todos os outros pratos do São Francisco estavam ótimos, do mesmo nível do mais famoso restaurante da rota. A Cá, inclusive, achou a feijoada dos Morassi bem melhor que a dos Demarchi.

No final, sobremesas em menor número de opções, mas que tinham aparencia muito melhor que as do São Judas (que parecem muito food service), e estavam de acordo com suas apresentações. Na conta, a diferença de R$ 20 no consumo médio de um casal (90 reais no primo rico, 70 reais no primo pobre) é praticamente suficiente para uma 3a pessoa almoçar no São Francisco. Mas o que fez um restaurante, que era tão lotado quanto o outro nos anos 1970 e 80 decair tanto em público? Acredito que o primeiro fator seja localização: quem vem pela Anchieta passa primeiro pelo São Judas, para depois de alguns metros chegar no São Francisco. O São Judas tem um acesso bem em frente à ele, enquanto o primo pobre depende de um retorno alguns metros à frente; mais importante que tudo isso, vem o segundo fator: a expansão feita pelos Demarchi no seu restaurante criou um colosso em plena avenida, enquanto o seu concorrente continua do mesmo tamanho da década de 80 (além de escuro e "velho" por dentro). E, para justificar este monstrengo de restaurante, no caso do São Judas, claro, é necessária muita divulgação e publicidade feita pelos Demarchi o que contribui muito para que o primo rico seja mais famoso e cheio. Mas ambos, assim como o Florestal, ainda apostam a maior parte de seu faturamento na combinação Jantar-show, sempre com nomes conhecidos do público em geral (ainda que não gostemos de, por exemplo, Victor e Leo, sabemos quem eles são).


Notamos muitas mesas reservadas (para grupos sempre maiores que 12 pessoas) no São Francisco para o jantar; pode ser que um pouco de sua pompa ainda perdure às noites, o que é justo, pois é uma pena ver um restaurante deste nível ficar deserto como estava no sábado. Nesta disputa entre primo rico e primo pobre, dar uma chance para o menos abastado pode ser muito mais interessante do que você imagina. Tente atravessar o abismo e chegar no número 1911; dificilmente você se arrependerá.

D.

Frango, nada mais que frango! (A passarinho, ok?)

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Continuando nossa série de história de pratos típicos, há uma receita brasileiríssima, mas de origem praticamente desconhecida: o Frango à Passarinho. Este corte de frango em pequenos pedaços, geralmente da asa, fritos em imersão de óleo quente, tem local de origem desconhecido, mas desconfia-se que foi criado no sudeste, mais especificamente no Rio de Janeiro, onde um boêmio pediu ao cozinheiro de um bar um tira-gosto de frango, cortado em pedaços bem pequenos, como se fossem pedaços de passarinho. Daí o nome e sua criação. O frango crocante, em pedaços pequenos (aqui no ABC muito associado à polenta frita) virou um verdadeiro sucesso entre bares e restaurantes, especialmente no estado de SP. E, para quem gosta dessa pequena iguaria, abaixo uma ótima receita de como faze-lo em casa:


Ingredientes:
- cerca de 1,5Kg de frango, cortado em pedaços pequenos, com pele

- 03 cubos de caldo de galinha

- 1/2 xícara (chá) de salsa picadinha
- alho frito a gosto
- cerca de 1L de óleo para fritar

Modo de preparo:
Dissolva os cubos de caldo em duas colheres de água fervente; tempere o frango com esta mistura, deixe descansar por duas horas. Frite o frango em imersão de óleo bem quente, até todos os lados estarem dourados. Escorra a fritura no papel absorvente, e polvilhe salsa e alho frito picados por cima do frango. Tente! Vale a pena!





Aproveitando o tema galináceo, uma história interessante é a do Frango com Polenta, prato trazido por descendentes de italianos para o Brasil, sendo que fez a fama dos restaurantes da região de São Bernardo do Campo, mas também é encontrado em outros ótimos lugares fora daqui, como em Jarinu, na festa do morango, no Madalosso, e outros restaurantes de Santa Felicidade, em Curitiba (ah, Santa Felicidade!!!!)

Para quem não conhece, o bairro dos Demarchi, em São Bernardo, (originalmente chamado de Colônia ou Botujuru), é praticamente a meca dos restaurantes de frango com polenta e dos motéis. Como nosso blog não trata sobre o segundo assunto (aaahhh...), vamos nos fixar na história dos primeiros, quase todos controlados pela família Demarchi (hoje a maior família com número de descendentes em uma mesma cidade, passando de mais de 1.000 pessoas), que teve como uma das personagens mais destacadas Maria Servidei Demarchi.



Dona Maria, foi a segunda esposa de Matteo Demarchi (um dos primeiros Demarchi a chegar ao Brasil junto de seus 3 irmãos, viúvo com apenas 25 anos). Conhecida como uma grande matriarca (ganhando até o título de “Mãe Símbolo de SBC”), Maria Servidei, nos anos 1940, partiu de uma receita simples e tradicional da sua família para servir em sua casa os viajantes que saíam do litoral com destino à capital, São Paulo; se baseando no tradicional frango com polenta servido nas chamadas tômbolas (uma espécie de bingo nas quais os anfitriões serviam aos convidados fartas porções de frango com polenta, macarronadas, cabritos e leitões).

Maria e sua família começaram a fazer da receita caseira um grande sucesso entre os viajantes. Os Demarchi, assim como os Battistini, os Tollotti e outras famílias italianas de São Bernardo, perceberam o filão comercial destes pratos, e começaram a abrir restaurantes. Primeiro, Andrea Demarchi oficializa o São Judas Tadeu, em 1950, hoje em dia um dos maiores restaurantes do Brasil e do mundo, em número de lugares. Seus parentes constroem o Florestal, a família Battistini cria o restaurante deles, assim como a cantina dos Tollotti (hoje já não mais existente). Hoje, a rota dos restaurantes do Demarchi é nacionalmente conhecida, um dos maiores pontos turísticos de São Bernardo do Campo e o Frango com Polenta é servido em várias formas (com molho, inteiro, à passarinho, alho e oleo), mas aproveitando a receita acima, vamos só complementá-la com a famosa polenta frita:




Ingredientes:
- 2 xícaras de fubá mimoso (porque ele é mimoso eu não sei, nunca o vi fazendo carinho em ninguém ou sendo meigo com alguém)
- Fubá mimoso para empanar
- 4 colheres de sopa de óleo
- 1 litro de água fervente
- ¹/2 colher de sopa de sal
- 3 dentes de alho amassados
- 1 cebola pequena ralada

- 1L de oleo para fritar



Modo de preparo:
Dissolva o fubá em 2 copos de água fria, reserve. Leve a panela em fogo médio e adicione o óleo, cebola, alho e o sal, mexa bem até dourar. Em seguida acrescente o fubá já diluído (na água toda) mexendo de preferência com uma colher de pau por mais ou menos 20 minutos, até obter uma consistência bem firme na polenta (fica bem pesado para mexer). Despeje em uma travessa e deixe esfriar, corte em pedaços, empane no fubá (com os pedaços ainda mornos) e frite em óleo bem quente.

Dica: O fubá antes de fritar é para deixar a casquinha da polenta bem crocante e ainda evita que ela encharque, ela tem que ficar sequinha!




Mais um pedaço de história (frita) contada, voltamos em breve com mais um pouco da nossa história gastronômica. Enquanto isso, aproveitem, comam
sem moderação e divirtam-se!


D.

Histórias da Culinária Brasileira - Os Velmont e a Coxinha

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Hoje é dia de postar algo diferente. Como minha amadíssima chef e blogueira disse em um post anterior, o Criticozinha não é, originalmente, um blog para falar mal (ou bem) de restaurantes e casas do gênero. É um espaço para falar sobre todo tipo de incursão gastronômica, inclusive - por que não? - a histórica.
Lendo uma matéria sobre um diálogo que ocorrerá na novela das 21h da Globo (que estava na capa de um grande portal - e, sim, quando acho alguma coisa interessante sobre qualquer tema, leio, afinal, como diria meu finado mestre Mário Chamie: repertório é tudo!), dois personagens discorrerão sobre a história da maior iguaria salgada do mundo, a verdadeira refeição completa, equilibrada na quantidade de carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e tantas outras coisas: a coxinha!



Lendo este texto, me veio a idéia de resgatar algumas histórias de alimentos tão consumidos no nosso dia a dia, mas que nem todo mundo sabe que são 100% brasileiros e como foram criados. Para começar, claro, vossa majestade, a Coxinha!
Tudo teve início no século XIX, com uma senhora chamada Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon. Comprido o nome? Então vamos encurtar para sua alcunha mais famosa: a Princesa Isabel. Aí você se pergunta: o que nossa última princesa imperial, primeira senadora da história do Brasil e conhecida como "a Redentora" por conta da lei Áurea tem a ver com nossa querida coxinha? Efetivamente, nada! Mas duas pessoas muito ligadas à ela são as responsáveis pela criação da iguaria: seu filho e uma cozinheira de sua casa.
A Princesa Isabel teve 4 filhos: uma morta ao nascer, Luiza, e outros três filhos homens. Reza a lenda que um deles era considerado deficiente mental, e que vivia afastado da sociedade em uma fazenda em Limeira, chamada Morro Azul. Vivendo isolado, apenas com o contato com a criadagem da casa, o menino adquiriu uma grande predileção por carne de galinha, sendo sempre necessário ter no seu prato uma coxa de galinha ou o peito desta. Ao notar que não havia carne o suficiente para servir durante uma refeição, e preocupada com o escândalo que o menino poderia fazer, uma cozinheira da casa resolveu desfiar toda a carne da única galinha disponível e transformar, de alguma forma, toda a galinha em "coxas".
Disso, nasce o conhecidíssimo formato da coxinha, e sua receita original. A criança gostou tanto que o salgadinho passou a ser obrigatório em todas as suas refeições. Ao visitar a criança, a então Imperatriz Tereza Cristina, observando o prazer com que o menino degustava a iguaria, resolveu experimentar uma, e gostou tanto que solicitou a receita para ser fornecida para o Mestre da Cozinha Imperial, e aprovou a receita para servir aos seus convidados, sempre que o Mestre achasse conveniente.
Mas, além da coxinha, outras tantas iguarias foram criadas aqui no Brasil e nem todo mundo sabe, por exemplo:


- Brigadeiro: originalmente chamado (e ainda conhecido) no Rio Grande do Sul como Negrinho, o brigadeiro surgiu em uma campanha eleitoral. Durante a primeira metade do século, era muito comum que as eleitoras simpatizantes dos candidatos trocassem docinhos por donativos de campanha. Em uma eleição entre Eurico Gaspar Dutra, candidato do PSD e do PTB, e o Brigadeiro Eduardo Gomes (um dos heróis do episódio dos “18 do forte”, e que se apresentava como o "brigadeiro que é bonito e solteiro”), pela UDN. Uma senhora de Minas Gerais, diz a lenda, fez os primeiros docinhos “negrinhos” e oferecido ao candidato “os docinhos preferidos do brigadeiro”. Mais tarde, o nome foi simplificado.

- Pé de Moleque: outro doce tipicamente brasileiro, feito da mistura do amendoim torrado com a rapadura de cana de açúcar, tem como expoente a produção na cidade de Piranguinho, conhecida como a capital mundial do pé de moleque. Como curiosidade, não existe uma versão oficial para o nome dele, sendo duas as lendas mais conhecidas: a primeira, é que o doce ficava da cor dos pés calejados das crianças que brincavam o dia inteiro descalças na rua. Outra, mais conhecida, remete o nome às cozinheiras que produziam o doce em Piranguinho, que cansadas de verem a meninada roubar o doce da janela enquanto estava esfriando, gritavam para eles “Pede, moleque!”.

- Feijão Tropeiro:Uma das mais clássicas receitas da culinária mineira, o feijão tropeiro (a mistura entre farinha de mandioca, feijão, torresmo, linguiça, alho, ovos, cebola e outros temperos) nasceu pela necessidade dos tropeiros (os homens que transportavam cargas em lombos de burros ou tropas de cavalos - daí o nome “tropeiro”), que cortavam o estado de MG com diversos produtos ou conduzindo gado, por uma refeição que fosse fácil de fazer, pudesse ser carregada com eles e gerasse energia o suficiente para grandes caminhadas. Com uma refeição amplamente calórica, eles conseguiam ficar mais tempo rodando pelo estado sem precisar fazer paradas.

Pratos para todas as classes e todos os fins, receitas criadas e executadas com simplicidade ou grande complexidade. Nossa culinária talvez seja tão ou mais rica e vasta em opções quanto qualquer outro país do mundo. Isso é um das coisas boas do Brasil. Continuaremos a desvendar pratos típicos da culinária brasileira, de sua cultura regional ou sucessos nacionais como a santa, sagrada - e imperial - Coxinha!), em outros posts.

Até lá, bom apetite e divirtam-se!

D.