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Beijupirá - Porto de Galinhas. 2 visitas, 2 óticas.

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Então que eu e o Di fomos em uma das unidades do Beijupirá e realmente foi uma experiencia agradável, divertida, saborosa e interessante.

Passado mais de um ano, retorno lá com a minha vó e voltar lá com uma pessoa tão diferente no que diz respeito a faixa etária, cultura, modo de agir, etc, faz a gente enxergar as coisas sob outra ótica.

1ª impressão dela: "Olha vó, vamos vir jantar aqui amanhã" e ela "Nossa, achei que aqui era um Centro de Macumba" - kkkkkkkkkkk. Vale dizer que minha vó não é assim tããããão idosa e sua impressão se deve ao fato do restaurante ser bem escondido no meio de folhagens e um pouco escuro na fachada, com algumas luzinhas coloridas.

Depois, notei a dificuldade dela com o cardápio... o ambiente é bastante escuro, com luz indireta e tals, quase que totalmente iluminado por velas... outro ponto, a diagramação do cardápio é despojada (leia "confusa"). Conclusão: eu tive que ler praticamente todo cardápio para ela e neste dia, devido a mesa que ficamos, também tive dificuldades com a leitura.


foto do site Beijupirá


Enfim chegaram à mesa os pratos, apetitosos como da outra vez e com seu toque criativo, porém sei lá, me pareceram menores e mais acanhados embora o preço salgadinho como sempre... Uma refeição com prato principal, 2 bebidas não alcoolicas e 2 sobremesas sai em média R$ 90,00/pax. 

Minha vó curtiu o prato dela, o Beijumanga, que trata-se de um filé de peixe grelhado com casquinha de gergelim, acompanhado de arroz de coco, farofinha de gengibre (que poderia vir bem mais - veio 1 colher!), banana caramelada (idem) e molho de manga (que ela deu para mim, hahaha). 


  http://www.acelerada.com.br/restaurante-beijupira/

O meu era um prato a base de camarões com molho de gorgonzola, arroz de goiaba e crisps de bacon. 10 camarões médios "medios-pequenos", dispostos lado a lado e frios. Arroz ok e a melhor parte do prato foi o molho de gorgonzola e o bacon. 





De sobremesa fomos de crepe de filhoses com sorvete de tapioca. Tudo impecável nesta sobremesa, a massa muito crocante, o sorvete delicioso! Porém, minha vó pediu mesmo por conta do tal mel de engenho que vinha sobre ela... depois minha vó deu umas resmungadas que o tal melado não era lá essas coisas, como ela comia em 1900 e bolinha... honestamente, aí ja não sei, mas acho mesmo que isso foi puro saudosismo. 


https://chitchatbabel.wordpress.com/2010/11/18/beijupira-porto-de-galinhaspe/


E também pedimos a cartanhola, uma versão da tradicional Cartola pernambucana - 



https://chitchatbabel.wordpress.com/2010/11/18/beijupira-porto-de-galinhaspe/


Essa sobremesa leva banana frita na manteiga de garrafa, uma 'modesta' fatia de queijo manteiga (que é maravilhoso, pena que não encontramos facilmente aqui pelas bandas do sudeste), e cobertura de canela e açucar. Para virar cartanhola, eles adicionaram farofa de castanha de caju,  mas tão fina, tão fina que ficou desagradável de comer... achei que viria uma espécie de xerém, mas não, na boca, parecia que estava mastigando areia...

Naquela noite, o atendimento deixou a desejar... o garçom estava bem desatento e nossos pratos demoraram.... eu não pagaria os 10%, mas não quis criar caso.

Vi inumeros casais pedindo apenas 1 prato e dividindo, já tinha visto isso acontecer na primeira vez... Sei lá, obvio que tal fato ocorre devido ao alto custo, talvez eles devessem repensar sua politica de preço, chegar num meio termo, onde o consumidor gastasse menos por cabeça, mas mais no total e se sentissem incentivados a pedir 2 pratos (por casal)... Porque você nota que é tão comum os casais dividirem um prato, que os garçons já tratam de forma natural (ok, ninguem tem nada com isso)... mas comercialmente falando, é uma perda de tempo, ocupam mesa, tempo de espera, serviço, etc... Fora que um prato mal dá para 1 pessoa com fome!!! 

Enfim, devaneios a parte... vale a pena? 

Se você quer comer uma comidinha de praia com toque moderno, gastando bastante dinheiro, vale. Caso você queira comer bem mesmo, aquela moqueca maneira, cheia de camarões, com dendê, leite de coco e lagosta, por metade do preço, aí a historia acontece em outros lugares...

:o*


Coco Bambu e os Camarões à Milanesa

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Depois de algum tempo de ostracismo, estamos de volta, e agora para falar sobre um dos grandes restaurantes nordestinos que aportou em SP: o Coco Bambu.
Bem localizado, no prédio que abrigava o fanfarrão e fujão T.G.I. Friday´s (que saiu do Brasil sem sequer dar alguma justificativa plausível), o Coco Bambu é um restaurante de grande sucesso em Fortaleza, e expandiu para outras cidades, como Brasília, Teresina e a Paulicéia Desvairada e chuvosa na qual nos encontramos.
Com uma reserva feita (apesar do restaurante estar vazio), fomos muito bem atendidos pela hostess, que nos indicou o caminho a seguir para nossa mesa. Acompanhados dos nossos habituais cúmplices nestas descobertas (que, inclusive nos sugeriram o restaurante), fomos ver o que o Coco Bambu tinha de bom para nos oferecer, e tudo se resume a um prato: Camarão à Milanesa.


Não, o cardápio não tem só este fruto do mar empanado, aliás, peca por ser um cardápio muito extenso, mas o garçom insistiu até o momento da sobremesa para que escolhessemos o coitado do crustáceo para nossa entrada. A cada pergunta para o garçom, vinha a resposta pronta: "Aceitam um Camarão à Milanesa?". Em dúvida sobre que entradas pediríamos, ouvimos pelo menos 15 vezes o garçom oferecer o mesmo prato, e já havíamos falado que não nos interessávamos por ele. Então ele nos deixou pensar um pouco, enquanto buscava as bebidas solicitadas (a Cá pediu uma ótima Caipifruta de Caju, enquanto nós três partimos para nossos pedidos não-alcoólicos habituais). Quando apareceu novamente, voltou a insistir (muito!) no tal camarão.

As ótimas entradas: Queijo Coalho e Lula à Dorê
Pedimos de entradas uma porção de lula à dorê (ótima, sequinha, bem empanada, soltinha e tenra), e espetos de queijo de coalho com melaço de cana (muito bons também), mas ouvimos mais algumas vezes do garçom que deveríamos pedir o camarão à milanesa, se já o conhecíamos (não, não tínhamos sido apresentados à ele, afinal, ele não veio na mesa conversar conosco).
Hora dos pratos principais, e fica um problema sério: Como 4 pessoas indecisas por natureza conseguem decidir pratos (que normalmente servem 2, 3 ou 4 pessoas) de forma rápida? Ainda mais em um cardápio tão extenso? Nossa demora para pedir o prato principal nos fez ouvir algumas vezes o mantra do garçom: camarão à milanesa?
Rede de Pescador
Depois de muita indecisão, chegamos a um ponto em comum: a Rede de Pescador. Um prato com diversos frutos do mar (lagostas, camarões, mariscos, lulas e peixe), acompanhados de arroz com açafrão; Na teoria, no cardápio, servia 4 pessoas, mas qual a nossa surpresa quando o garçom nos fala que "não serve tão bem assim 4 pessoas", e tenta nos empurrar novamente o camarão à milanesa. Falamos que pediríamos somente a Rede e, caso necessário, pediríamos algo depois. Todos os frutos grelhados à perfeição, da forma que você realmente espera em um restaurante deste tipo de culinária, e, ao contrário do que o insistente atendente deu a entender, o prato serviu 4 pessoas, ainda mais porque já havíamos comido as entradas e a atitude do garçom se torna um ponto absurdamente negativo (ele foi instruído a enfiar um camarão à milanesa goela abaixo dos clientes, a falar que os pratos não serviam muito bem o número de pessoas indicada no cardápio ou a inaptidão foi por conta dele?). o prato, com 4 caudas de lagosta, uma porção de camarões, lulas e mariscos, e duas grandes postas de peixe, era suficiente para a ocasião.
Satisfeitos com o prato principal, partimos para a sobremesa, e o garçom escolhe novamente o que devemos comer: Pudim de leite condensado. E a insistência habitual muda de prato, mas não de frase: "vocês conhecem o pudim de leite? É muito bom!"; quem me conhece sabe que eu adoro esta iguaria doce, mas queria experimentar outra coisa, e todos escolhemos sobremesas diferentes: uma torta cremosa de banana (que de cremosa não tinha nada, seca e com pouco sabor), uma torta de chocolate (ótima), uma cocada cremosa ao forno (talvez a melhor de todas as sobremesas que pedimos, e a primeira cocada que experimentei que não era absurdamente seca), e um suflê de goiaba com cobertura de requeijão. Neste ponto, e neste prato, começa novamente a insistência do garçom: " o suflê demora de 20 minutos à meia hora, não tem problema? Você não quer pedir outra coisa, um pudim de leite?". Me contive, pois na hora, minha vontade era de bater a cabeça do garçom na mesa, e falar para ele, enquanto ele dava de face na espessa madeira: "não, não, não! Não quero pudim de leite!"; mas, ao invés disso, incentivado por todos na mesa (que não se importaram em esperar um pouco mais), pedi o suflê.
Vai um pudim de leite????
Minha experiência com suflês de goiaba começou no Carlota, há alguns anos, e tudo era ótimo: a calda quente e cremosa de queijo, mas ainda assim líquida o suficiente para sair do pequeno bule em que ela é depositada, para um suflê aerado e macio; no Coco Bambu, apesar de ser um pouco doce demais, o suflê estava ótimo, mas a cobertura de queijo nada mais era que um pouco de requeijão, frio (e por isso, relativamente duro) em um mini bule, o que me fez tentar tirar de todas as formas (já que a colher mal cabia dentro da jarrinha) a calda para inserir no suflê.
Ao pedirmos nossos tradicionais cafés e a conta, duas surpresas: a primeira, o garçom, ao oferecer o café, não falou "pudim de leite" nem "camarão à milanesa", um milagre!!!! Mas, jogou tudo por terra ao nos oferecer um café "restrito" (Não seria Ristretto?????). A segunda, a conta: 460 reais para 4 pessoas, ou seja, mais de 110 reais por pessoa. Pelo que oferece, e principalmente pelo atendimento, talvez seja um restaurante para conhecer por curiosidade, e só isso; existem vários outros restaurantes em São Paulo (e na grande São Paulo) oferecendo frutos do mar tão bons a preços mais acessíveis, e não tentando te empurrar um camarão empanado. Descendo as escadas para ir embora, fiquei pensando se a troca da costelinha ao molho de Jack Daniel´s e a Oreo Madness pelo camarão à milanesa e o pudim de leite valeram a pena. Como eu quase não frequentei o Friday´s na vida mesmo (e aprendi a receita tanto do molho de Jack Daniel´s quanto da Oreo Madness), então o Coco Bambu pode ficar lá onde está, longe do meu bolso (que não pode pagar por isso o tempo todo).

Uma semana chilena

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Algumas pessoas ficaram na expectativa do meu post sobre a gastronomia chilena, sobretudo porque sabem que eu e o Di fazemos incursões a fundo na cultura local e a parte da “comilança”, não poderia ficar de fora, claro, pois, se refletirmos calculadamente sobre isso, perceberemos que a característica da comida de um povo traz em si tudo o que ele foi e viveu no passado, seja uma colonização ou uma guerra.

Sem medo de ser feliz (ou não lida) e encorajada pelo curso que fiz “Comer e escrever”, aqui vai um relato desde nossa chegada ao Chile, fugindo um pouquinho do tema as vezes, mas sempre pensando em lhes trazer linhas de saborosa leitura.

1º dia: Embarcamos cedinho de Guarulhos e depois de uma quase intragável comida de avião, descemos em solo chileno com uma hora de fuso horário ganha. Depois de trocar dinheiro, negociar o táxi (barato), fomos nos instalar no hotel. Depois de instalados, começou nossa saga pelas delicias chilenas.
Logo de cara achamos uma rede de fast food que só vendia cachorros quentes, e percebemos que o tal lanche é preferência nacional. Existem varias redes diferentes que competem igualmente com o Sr. Ronald neste quesito. Tem basicamente cachorro quente de tudo e com tudo, claro, bem diferentes dos “dogões prensados” que encontramos aqui no Brasil, mas vou dizer, bem mais gostosos. Posso destacar algumas peculiaridades: os tamanhos que vão do ‘normal’ ao enorme, os 06 tipos de molho oferecidos à vontade e a palta, vulgo, abacate. Isto mesmo, você não leu errado, é abacate mesmo, feito em pasta de forma natural (sem temperos). E como eles gostam de abacate... em poucos minutos na rede Doggis o que mais vimos foram cachorros quente saindo, recheados desta pasta verdinha e muito estranha ao nosso olhar.
Como era nosso primeiro dia, não quisemos arriscar (até porque não sou muito fã da fruta) e pedimos lanches pequeno e médio, da forma classica: maionese,salsicha, um tipo de batata palha, bacon e os tais molhinhos para completar. Para você que como nós viaja para conhecer lugares de “nativos” e não somente os caros restaurantes de turista, recomendo, vá ao Doggis e divirta-se com combos que giram em torno de R$ 12,00.

A noite, meio sem rumo e mal guiados pelo Google maps, fomos parar num recatado café, numa esquina ao centro de Santiago. O cardápio pouco extenso oferecia lanches comuns, mas em pão estilo ciabata por cerca de R$ 10,00 cada. O Café de las Artes não era assim um local tão bonito e atrativo quanto os que nos cercavam, mas o cardápio estava mais de acordo com nossa pouca fome. Mas, la vieram dois lanches extravagantes, num pão delicioso. O meu, com generosos cubos de frango e ambos com fatias inacreditaveis de champignon paris fresco.



2º dia: Depois de um café da manhã bem “mais ou menos”, sem opções de frutas, um tipo de pão tipico, redondo, meio duro, um tipo de queijo, embutidos estranhos... saimos para conhecer o mercado central e nos deparamos com um enorme mercado de peixe. Peixes exóticos, comuns, mariscos, muitos, enfim, tudo o que provém do mar exalando cheiro de produto “vivo”, fresco, recem pescado. No meio do mercardo um enorme restaurante para turistas ao lado de duas modestas barracas de frutas.
Eu já havia comido a tal da centolla em Ushuaia, mas queria provar a “bichinha” novamente, mas 49mil pesos estava um pouco alem do que gostariamos de gastar. Paramos então na barraca de frutas e descobrimos morangos gigantes e pouca coisa desconhecida para nós hoje em dia, como o “pepino doce” (que tinha gosto daquela parte branca da melancia), a chirimoya alegre (parente proxima da fruta do conde) e a lucuma (uma prima amarela do abacate, com mesmo cheiro de gordura e largamente usada na fabricação de varios tipos de doce).
Gastando todo meu espanhol com o garoto da banca de frutas, ele nos recomendou um restaurante para chilenos, e claro, não sem antes negociar, sentamos para degustar a comemorada centolla por 30mil pesos (cerca de R$ 120,00), acompanhada de 03 guarnições e pisco sour (a caipirinha chilena).
Depois de nos colocarem babador lá veio o caranguejo gigante de aparencia nada amigavel, mas que logo foi destrinchado habilmente pelo garçom que colocou em nossos pratos somente pedaços da tenra e saborosa carne de centolla. Um sabor suave de caranguejo em algumas partes lembrando kani kama, mas de uma textura extremamente gentil ao tocar as papilas gustativas empolgadas e curiosas.
Depois de uma bela refeição economizando uns R$ 70,00 pegamos nossa excursão para Concha y Toro, um lugar lindissimo, mesmo no inverno, onde as vinhas secas e sem exuberancia ainda são um atrativo convidativo à degustação dos vinhos. Após um passeio pela vinicola (e compras nada moderadas de vinagres de uvas especificas), de volta à Santiago já quase na hora do jantar, onde resolvemos conhecer a parrillada chilena.
Para quem já esteve em diferentes regiões da Argentina e conhecendo diversas maneiras de se preparar o mesmo, digo por experiência que a parrilla chilena é muito mais interessante ao nosso paladar: carnes mais macias e diversas, porém sem beirar a esquisitisse do choripan. Aproveitei e provei uma cerveja local e super famosa, a Escudo. Não sou grande apreciadora de cerveja clara, mas aquela era leve e suave como um bom chopp.



3º dia, domingo: Ida as cidades de Valparaiso e Viña del Mar. Ambas as cidades tem seu encanto, Valparaiso uma carga mais historica e a população judiada pela decadencia da mesma depois da abertura do Canal do Panamá, já que grandes cargueiros já não precisam mais passar por lá para chegar ao Pacifico. Vinã del Mar é mais moderna e badalada, mas compartilha do mesmo mar gelado que banha toda costa do Chile. Como estavamos em excursão ficamos “engessados” em almoçar em um restaurante especifico, o Delicias del Mar. Eu optei por uma sopa creme de mariscos de entrada, que estava deliciosa, eu e o Di optamos pelo mesmo peixe de prato principal, não me recordo o nome do peixe, mas estava bem saboroso sob um creme branco com aspargos. Os sucos (extremamente adoçados, tradição no Chile) e as sobremesas deixaram bastante a desejar.
Diferentemente da frenetica São Paulo, Santiago se resguarda aos domimgos, então para jantar tivemos que apelar para o bom e velho shopping, que fica sempre aberto até as 22hr. Aí não teve jeito, só os fast foods familiares, e outros meio duvidosos, então fomos de Pizza Hut e Taco Bell, sem novidades.



4º dia, segunda: Para mim, um dos dias mais esperados, dia de verdadeiramente conhecer neve! Eu já havia tido contato com neve em Ushuaia (a cidade mais austral do mundo), no mes de janeiro, mas não era uma profusão de neve, afinal, era verão! Mas agora era diferente, era muita neve e era inverno!
Depois de uma subida muito peculiar na serra do Valle Nevado, onde pacotes de salgadinho abriam sozinhos numa pequena explosão como rolhas de champagne devido a ausencia de pressão atmosferica chegamos ao local onde eu (e muitas outras pessoas) voltaram a ser crianças, “bem alí”, a mais de 3mil metros de altura.
Depois de andar, cair, deitar, fazer guerra de neve foi hora de uma pequena pausa para o almoço em um restaurante bonitinho, mas extremamente mal preparado para receber tantos turistas na estancia Mirador de Farellones. Após ler e reler o cardápio e muita insistencia para fazer o pedido fomos nos deparando com as frases “nao temos mais / acabou...”, hum... “então o que vocês tem?”; “pizza”.
Pois é... pizza para almoço... não nos empolgamos nem um pouco, especialmente depois de ver perto do hotel umas pizzarias bem duvidosas. Escolhemos sabores neutros, tal como mussarela e a outra metade com tomate seco e qual não foi nossa surpresa? Uma pizza de massa fininha e crocante mas que lembrava uma bolachinha de agua e sal, bem recheada, enfim, deliciosa.
A noite perguntamos ao nosso guia onde comer comida “tipicamente tipica” e ele indicou, ali pertinho de onde estávamos, na rua dos bons tragos, logo atrás do famoso Patio Bellavista. Mas como era mesmo o nome do restaurante que o Ismael havia indicado? Eu e o Di sabiamos que iriamos reconhecer assim que vissemos o nome, e não deu outra, numa esquina, com uma fachada menos clara que as demais o simpatico Galindo. Mais simpatico foi o garçom que nos atendeu (que sim, nem imaginou que eu era brasileira e veio questionar minha “fluencia” no espanhol) e logo recomendou o famoso pastel de choclo (para o Di) e os porotos con longaniza, que sobrou para mim, já que o Di destesta feijão.
O pastel de choclo é muito semelhante ao nosso escondidinho, porém a massa é bem mais liquida e claro, feita de milho puro, chegando a ser um pouco doce. Sob esta massa uma mistura de carnes desfiadas (frango, boi, presunto, etc) com uvas passa, azeitonas, etc. Muito gostoso e muito tipico



5º dia, terça: Foi dia de andar, subir, andar, subir, andar, subir e andar, andar e andar... isto porque fomos desvendar o centro de Santiago e isso incluia subir no ingrime Cerro Santa Lucia; uma colina cheia de historia, belezas e surpresas. Após subir muitos “pares de escaleras” foi hora de descer e caminhar por todo “casco antiguo”, com seus predios historicos, sua biblioteca sobrevivente ao terremoto, a casa da moeda ou palacio do governo, etc.
Aliás, o Chile, ou o que conhecemos dele, está quase que completamente recuperado do terremoto, um ou outro prédio historico ainda está fechado para reforma, como alguns museus, mas no geral, quase não se vê rastro daquele terror.
Neste dia perdemos a hora, mas nos deixamos guiar por nossas pesquisas e fomos para a auto intitulada “melhor sorveteria da america do sul”, o Emporio la Rosa.
Uma esquina pequena, simpatica e acolhedora que logo de cara lhe oferece sabores inusitados de sorvete, empanadas quentinhas e chocolate quente de tamanho “GG” (eu jamais poderia esperar uma xícara tão grande!). Pedimos a empanada mais tipica, a “pino”, ou seja, recheio de carne bem moida e temperada com bastante cebola, bem refogada, que quase se desmancha.
O chocolate quente e as empanadas estavam muito bons, mas o cappuccino do Di, estava “ok”, com crema (ou espuma de leite), mas meio sem sabor. Aliás, uma coisa interessante no Chile é o consumo do Nescafé, sim, nescafé, descrito assim, não somente um café soluvel mas o tal nescafé, que disputa igualmente com o espresso um cantinho do cardapio e até nas barraquinhas de cachorro quente espalhadas pelas ruas.
Depois da parte quente, tivemos que experimentar os sorvetes, arriscamos os sabores: chocolate com manjericão (já estavamos acostumados com essa mistura, inclusive um dos meus docinhos mais comemorados é o de manjericão), mel de lumo (uma flor tipica), framboesa com pimenta e lucuma, uma fruta tipica, que por exceção da cor lembra muito o nosso abacate (mas as que compramos in natura estavam terrivelmente verdes e impossiveis de comer).
O sorvete realmente é maravilhoso, mas no meu quesito sorveteria (e olha que conheço muitas, muitas mesmo) ainda perde para a Sumo, uma portinha recheada de delicias inusitadas como o super dulce de leche, localizada proximo ao bairro de San Telmo em Buenos Aires.
De noite, tivemos que repetir a experiencia “Galindo”,mas dessa vez só pedi uma cerveja escura, envelhecida e eu e o Di compartilhamos uma porção de fritas molengas (acho que é o tipo de batatas que eles usam) com uns cubos de carne... enfim, uma porção estranha.



6º dia, quarta: fomos andar no bairro de Providência, um bairro lindo, arborizado e com cara de primeiro mundo. Na hora do almoço paramos numa região cheia de restaurantes, com mesinhas na calçada, optamos por um de estilo alemão. O Di optou por um bife empanado e recheado de queijo e presunto acompanhado de pure de batatas, ou, “milanesa de lomo con pure de papas” ou ainda “escalopa” ou “kaiser”, como é mais conhecido no Chile. Eu, há dias estava tentando comer o tal do “lomo a lo pobre” que vi em inumeros cardapios ao longo da nossa viagem e até tal momento ainda não tinha conseguido, então, não tive duvidas, essa foi a minha opção, acompanhado pela cerveja alemã Schofferhofer sabor pomelo ou grapefruit para quem preferir.
O prato do Di estava super saboroso e eu finalmente descobri o que era o lomo a lo pobre: um bife bem feito, acompanhado de batatas fritas (moles, como ja mencionei, acho que está diretamente a qualidade da batata que eles tem por lá), cebola refogada e 02 ovos com gema mole. Quem me conhece sabe que eu a-do-ro batatas fritas molhadinhas na gema mole do ovo (coincidencia ou não, estou comendo isto neste exato momento). Então, não é necessário dizer que eu adorei o lomo a lo pobre! Mas é necessário dizer sobre as 3 bisnagas de temperos que são recorrentes em todos os restaurantes, bares, barraquinhas de cachorro quente: amarelo = mostarda, vermelho = ají (pimenta), verde (sim, verde) = catchup. Nós ja tinhamos descoberto isso, mas esqueci... e enchi minhas batatas com pimenta... :o(
A noite, para comemorarmos mais um mes juntos, eu e o Di fomos enfim jantar no Patio Bellavista, no Mosai Cafe: lugar descontraido, de um cardapio impecavel, de ambiente agradavel e preços um pouco caros, mas ainda sim, justos, do tipo de lugar que falta em São Paulo. De entrada uma porção bem diversificada, que continha até champignons frescos empanados, o Di, resolveu desvendar o lomo a lo pobre e eu, pedi congrio, empanado com amendoim acompanhado de legumes, salada e uma cestinha de massa com molho branco com champignon (alias, eles adoram champignon fresco), milho e presunto. Tambem pedi um drink maravilhoso de pisco, enfim, um jantar sofisticado, preço justo e pratos realmente deliciosos.



7º dia, quinta: Foi dia das ultimas compras, arrumação de malas, visita a casa de Neruda e ao Cerro San Cristobal (lugar de magia indescritivel) e, dia de encarar finalmente um lanche com “palta”. Paramos numa lanchonete (Fresia sangucheria) e criei coragem, pedi logo um hamburguer com a tal pasta de abacate que os chilenos tanto gostam.
Foi um hamburguer tradicional, ou quase, pois para começar, o pão que eles utilizam é o mesmo do café da manhã, dos antepastos, etc, meio cascudinho, com marquinhas de garfo, massudos e “pesados”. E a grande diferença estava na pasta do abacate, sem tempero algum, por isso enfatizo, uma pasta de abacate, bem diferente de dizer uma guacamole. Confesso, bem gostoso, especialmente para quem esta aberto a descobrir sabores inusitados, porém, não sei se pelo tamanho do lanche, no fim, me senti, digamos, “empapuçada” pela gordura natural do abacate.
No jantar, mais uma noite no Galindo, onde estavamos prestes a deixar o melhor garçon e a "mejor cena". Deste jantar destaco a sobremesa... fazia dias estava vendo em mercados um tal de "papaya", mas não achava a fruta in natura, somente em conserva e em forma de suco em pó. O desenho da embalagem do suco ou a conserva nada lembram o nosso papaya, então, pedi de sobremesa do jantar, o tal do papaya con crema. O papaya é uma fruta tipica de lá, que não sei explicar bem o que é, mas é como se fosse um pessego (no caso, em calda) mas com um sabor mais para o damasco, porém o formato... tem mais a ver com um pimentão, ele é oco e esquisito, mas bem gostoso e a tal da crema, um simples creme de leite.



Em resumo (e desculpe pelo longo post e obrigada a quem leu), o Chile, em termos gastronomicos, é um pais que consegue misturar a tradição com o moderno, o mar com a terra, o conhecido com o desconhecido, mas tudo com muito sabor, abacate e ají.